REFLEXÃO SOBRE O FILME A GUERRA DO FOGO

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O período Paleolítico (também conhecido como Idade da pedra lascada) da pré-história é representado no filme “A guerra do fogo”. O filme se passa há 80.000 anos e, nesta época, as primeiras espécies de hominídeos viviam em cavernas devido às baixas temperaturas decorrentes do período glacial e também para proteção contra ataques de animais selvagens.

A principal característica desse período é a produção e utilização, pela primeira vez, do fogo. E é o fogo o elemento central da história deste filme. O grupo Ivaka, mais desenvolvido, dominava a técnica de fazê-lo, enquanto os demais grupos cultuavam e tratavam-no como objeto sobrenatural, provocando desta forma um intenso conflito para a sua aquisição, devido aos benefícios que esta descoberta proporcionava.

São mostrados no filme quatro diferentes grupos de hominídeos. A primeira tribo, dos Ulam, composta de hominídeos mais primitivos, é surpreendida por um ataque para a obtenção do fogo da tribo dos Wagabou (pouco evoluída e quase não se diferencia dos macacos devido aos seus corpos cobertos de pelos e por não possuir expressão de linguagem).

A tribo Ulam sai vencedora, mas, posteriormente tem seu fogo apagado e os personagens de Noah, Gaw e Amoukar saem em uma jornada para conseguir outra chama e realimentar seu fogo perdido.

Durante o percurso, entram em conflito com a tribo antropófaga Kzamm ao tentar roubar o fogo deles. Após mais uma batalha vencida pelos Ulam, Naoh conhece Ika, uma mulher que pertence à tribo avançada dos Ivaka e que estava prisioneira da tribo dos Kzamm.

Para melhor ilustrar as tribos e suas respectivas características, segue abaixo a tabela 1:

Tabela 1 – Características das tribos observadas

 

Wagabou

Ulam

Kzamm

Ivaka

Alimentação

-

Insetos, animais, ovos e folhas

Carnívoros e canibais

Carnes, frutas, legumes

Vestuário

Andavam nus

Pele de animais

Couro de animal

Pintura corporal e máscara

Moradia

-

Cavernas

-

Cabanas

Obtenção e uso do fogo

Adquirido através de batalhas com outras tribos

Adquirido através de batalhas com outras tribos, o fogo era utilizado para aquecimento devido ao clima congelante e proteção contra ataques de animais selvagens

Adquirido através de batalhas com outras tribos

Domínio na fabricação do fogo

Crenças

-

Fogo como objeto sobrenatural

-

-

Liderança política

-

Sim

-

Sim

Relações sociais

-

Restrita a própria tribo

-

Sim

Tecnologia

Uso de troncos, osso e pedra para defesa

Uso de madeira, osso e pedra lascada para defesa

Uso do osso para defesa

Utilização bolsa para ferramentas, cerâmica, lançadores de flecha e ervas medicinais

Expressão artística

-

Nenhuma

Nenhuma

Pintura corporal e exibição de atos sexuais como entretenimento

Linguagem

Grunhidos

Grunhidos e corporal

Grunhidos e corporal

Desenvolvida: com sons mais articulados

 

Ao longo do filme é possível observar diversos conflitos que os personagens enfrentaram entre as tribos:

- A luta pela sobrevivência fora das cavernas, devido à exposição em ambientes desconhecidos, passíveis de ataques de animais selvagens e também de outras tribos que detinham o fogo. Um exemplo disso é a luta da tribo Ulam contra a tribo Wagabou e a tribo Kzamm pela conquista do fogo;

- Conflitos culturais e tecnológicos entre os personagens de Noah, Gaw e Amoukar e Ika quando expostos a diversos conhecimentos novos, tais como: pintura corporal, utilização da cerâmica, utilização de ervas medicinais, construção de cabanas, o uso da linguagem oral mais desenvolvida para expressar sentimentos e também a descoberta do riso, do prazer e do amor.

As formas de comunicação entre os elementos dos diversos grupos se dividiam entre gritos e gestos e uma linguagem mais desenvolvida em situações onde era necessário ser entendido por outras tribos. A expressão destes sentimentos transformou essa forma de comunicação. Sobre a linguagem, Rousseau em seu Ensaio sobre a Origem das Línguas, afirma que “a palavra distingue os homens entre os animais” (1999, p. 259). Ele apresenta que a linguagem não se dá apenas pela necessidade, visto que os animais também têm as mesmas necessidades físicas do homem. Para esse autor “não é a fome ou a sede, mas o amor, o ódio, a piedade, a cólera, que lhes arrancaram as primeiras vozes” (1999, p.266). Ou seja, a afirmação de Rousseau explica algumas cenas do filme onde é perceptível que a tribo Ivaka expressa seus sentimentos como a felicidade (através da manifestação do riso), a demonstração de afeto e os sons emitidos por eles que mais se assemelham às palavras.

Outro ponto importante a ser abordado é a coexistência de diferentes tribos de hominídeos em uma mesma época. De acordo com Charles Darwin (1859), esse fato seria sustentado pela lei de seleção natural da Teoria de Evolução das Espécies. Esta lei determina que apenas os mais adaptados ao ambiente poderão sobreviver. Assim, só as diferenças que facilitam a sobrevivência são transmitidas à geração seguinte e apenas os hominídeos mais adaptados às condições da época, permaneceram.

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 A cena inicial se repete ao final do filme, onde é vista uma fogueira ao longe. As duas cenas representam situações diferentes apesar da mesma paisagem. Na primeira, temos uma tribo que teme o desconhecido e necessita manter a chama acesa para sua própria sobrevivência. Na última, uma nova tribo que domina o fogo e está pronta para o desenvolvimento e continuidade das espécies.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

     CAMPOS, Bruno Viana. A língua em Rousseau: Sua origem e finalidade como expressão da liberdade humana. Pensamento espontâneo. Disponível em: http://pensamentoextemporaneo.wordpress.com/2009/06/20/a-linguagem-em-rousseau-sua-origem-e-sua-finalidade-como-expressao-da-liberdade-humana/. Acesso em 09/2009

        CUNHA, Rodrigo. A Guerra do Fogo (La Guerre du feu, 81, FRA/CAN), disponível em http://www.comciencia.br/resenhas/guerradofogo.htm. Acesso em 09/2009.

       EISLER, Riane. O cálice e a espada. 1 Edição, Editora Palas Athena, 2008.

       Lázaro, Ao direito, direitos. Resenha: A Guerra do Fogo, disponível em:  http://aodireitodireitos.blogspot.com/2008/06/resenha-guerra-do-fogo.html. Acesso 09/2009.

        MATOS, Franklin. Ensaio sobre a origem das línguas, disponível em:  http://resenhasbrasil.blogspot.com/2008/10/ensaio-sobre-origem-das-linguas. html. Acesso em: 09/2009 

       ROUSSEAU, Jean – Jacques. Do contrato Social: Ensaio Sobre a Origem das Línguas. Nova Cultural. Vol. I. 1999.

     SOUSA, Rainer. Evolucionismo, uma teoria mal interpretada. Brasil  Escola. Disponível em:http://www.brasilescola.com/historiag/evolucionismo.  htm Acesso em: 09/2009.

    VALÉRIO, Marcus. XR. Teoria da evolução, disponível em  http://www.xr.pro.br/teoria_evolucao.html. Acesso em 09/2009.

Publicado por: 

Daniele Dantas Affonso (3º período – Engenharia de produção)

Jean Carlos Miranda Barbosa (1º período – Sistema de Informação)

Leilane Fernandes Viana (1º período – Sistema de Informação)

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